Sábado, 19 de Março de 2011

Má pontaria

Qual caçador novato em primeiro dia de caça, o Dr. Passos Coelho deu um tiro no pé.

 

É de todos sabido que a desgovernação do PS tem levado o País ao caos generalizado, mormente, o económico. A crise internacional só veio antecipar um cenário que os analistas económicos com responsabilidade naquilo que afirmam já anteviam.

 

Com o devido respeito por opinião diversa, entendo que o Dr. Passos Coelho como líder do maior partido da oposição fez bem ao viabilizar o "PEC"apresentado anteriormente; disse-se na altura, que o havia feito por imperativo Nacional e para evitar uma crise política (que, a seu ver, )era nefasta por extemporânea e, geradora de uma imagem negativa do País junto dos mercados financeiros; para que o Governo não tivesse desculpas de não executar as medidas por eles tidas como necessárias acrescento eu !

 

As medidas então tomadas foram negociadas ferozmente entre responsáveis do Governo "P.S. e P.S.D." pois que,  ao atingirem uma franja significativa dos trabalhadores "geraram a revolta de todo o sector público laboral". Foi um sacrifício extraordinário que foi pedido aos trabalhadores, e que naturalmente afectou proporcionalmente os que maiores rendimentos auferiam. Sendo medida excepcional, embora de aplicabilidade imoral, "pois que, só a determinados sectores da sociedade foi imposta ," importa aqui focar o caracter de excepcional urgência de tais medidas

 

Diga-se desde já que, "o Português que cada vez paga mais  impostos" não  compreendeu as greves de alguns sectores da função pública e sector empresarial do Estado que, auferindo vencimentos desproporcionados por excesso, no correlacionado com serviços por estes prestados, não se coibiram de tentar parar o País por lhes retirarem um pouco do muito que alguns desses sectores abusivamente ganham. Relembra-se  que, só por prepotência dos sindicatos , posicionamento estratégico de alguns sectores e incúria daqueles que, igualmente beneficiando das greves, aprovam esses aumentos salariais sem cuidarem da coisa pública, estes atingem os valores que, comparados com os vencimentos da maioria dos outros trabalhadores chegam a ser ofensivos.

 

Só o facto dos sectores que mais contribuíram para a crise financeira ficarem isentos, ou quase, de contribuir para o sacrificio que aos trabalhadores foi pedido, avalisa tais procedimentos grevistas.

 

Mas, voltemos ao principio: Já se viu que o paradigma dos PEC IV continua a ser o sacrifício dos trabalhadores e de todos aqueles que mesmo involuntariamente não cometeram por acção ou omissão actos que levassem a este estado de coisas.

A culpa como de todos é conhecido pertence por inteiro ao Governo. E, agora que o dito Governo pretende emendar a mão e, se verifica que o sacrifício pedido foi insuficiente para colmatar as brechas existentes nas finanças públicas; que o défice tem de ser contido e levado a valores convergentes com os da U.E. da zona euro ; que só com tais medidas adicionais se evitará a entrada do FMI e quejandos em Portugal, então o PSD e o Dr Passos Coelho recusam-se a viabilizar o PEC adicional?

 

Mas, o PSD  tem agora menos razões para viabilizar este PEC IV do que tinha quando viabilizou os anteriores, pois que, maioritariamente este PEC  penaliza as pensões de reforma no mesmo grau de indexação de penalização dos salários da função pública. E esta medida igualmente imoral é contudo neste capítulo menos nociva que as anteriores. Senão vejamos:  a um trabalhador no activo, por norma, fará mais falta não receber a totalidade do seu vencimento que a um trabalhador reformado o não recebimento  da totalidade da sua reforma. Repare-se que os descontos excepcionais atingem maioritariamente as pensões acima de 1500  euros e, ainda assim, os descontos são irrisórios. Óbvio que quem aufere reformas de valor superior, especialmente igual ou superior a 2500 euros sentirá mais intensamente esta medida de carácter excepcional, mas, quanto a esses será bom lembrar que grande parte deles já receberam muito mais do que descontaram e, que grande parte dos trabalhadores no activo leva para casa pouco mais de 500 euros.

 

Sendo estas medidas de caracter excepcional, absolutamente necessárias para dar credibilidade ao País junto dos mercados financeiros não se vislumbra motivo de tão acérrimo impedimento. E, mesmo a justa indignação quanto ao facto de o dito PEC IV ter sido apresentado ao País depois de  ter sido apresentado em reunião comunitária, certamente cederá perante o princípio da necessidade. Em bom rigor, sempre haverá que considerar que, com o anúncio deste PEC IV em reunião comunitária, os mercados ficaram com a gula um pouco mais refreada.

 

Ora, das prioridades ou da falta de transparência do conteudo do PEC IV, resulta a natural ,indignação dos partidos da oposição que numa natural reação e uma encapotada ânsia de poder, ameaçam com a não aprovação das medidas nele contidas. Este estado de coisas, a manter-se, conduzirá a uma mais que provável crise política.

 

Tanto mais que, estou em crer,  isso será exactamente o que o Governo pretende, ou seja, que seja inviabilizado o novo PEC para poder sair de cara levantada da governação do País atirando as culpas para os que o inviabilizaram, abrindo com essa inviabilização, a possibilidade de  entrada em Portugal do FMI.

 

A ser assim, o PS apresentará a demissão do Governo e, aos futuros governantes nada mais restará que aplicar as mesmas medidas ou outras mais duras, quiçá, pedir a ajuda internacional com todas as consequências daí advientes.

 

Se tal cenário, se, se vier a desenrolar, creio que a maioria dos Portugueses aceitaria melhor um Governo  pluripartidário de iniciativa presidencial do que a ida às urnas para eleger um novo Governo. Isto, mesmo contra a verborreia dos arautos do costume

 

Num cenário de eleições legislativas e, admitindo a vitória do PSD "mesmo por maioria" as medidas governativas a tomar serão sempre draconianas e geradoras de descontentamento popular. E, neste caso, muito rapidamente voltaríamos a ter outro governo socialista, o que, equivaleria a um tiro dado no próprio pé pelo Dr. Passos Coelho.

 

É meu entendimento, que melhor faria o Dr Passos Coelho se, a quando da votação deste novo PEC  levasse o PSD a abster-se; com esta medida ficaria este PEC  viabilizado e o PSD não pagaria a factura de ter directamente originado uma crise política.

 

Sabe o Senhor Presidente da Republica que este Governo já perdeu toda a representatividade que lhe adveio do acto eleitoral, por isso, a dissolução urgente da Assembleia da Républica e a nomeação de um Governo temporário de salvação Nacional de iniciativa Presidencial seria a medida adequada a estes tempos de crise política e financeira

 

Nota: o modesto escriba destas linhas não tem filiação partidária, e o seu conteúdo, representa apenas a sua opinião livremente expressa. 

 

publicado por etario às 00:39
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
Domingo, 13 de Março de 2011

FRAGMENTOS

Sabido e confirmado: as massas em movimento são imparáveis e as consequências imprevisíveis.

Foi assim em Portugal (revolução dos cravos), foi assim na Tunisia e pelos vistos, assim será na Líbia ou noutros locais onde o fenómeno ocorrer.

 

A razão ou razões subjacentes a estes fenómenos são igualmente conhecidos. Contudo, é bom realçar que ao manifestarem-se espontaneamente não deixam de ter na sua génese a profundidade das desigualdades sociais que, por norma lhes subjazem.

 

Começam quase sempre por um descontentamento generalizado da população originado por uma injusta distribuição da riqueza e pelo fosso da exclusão social gerado por vias disso.

 

Quando os que legitimados pelos votos dos cidadãos, têm a obrigação e o dever de pugnar pelo bem estar e paz social das Nações, se demitem dessas responsabilidades, e agem em sintonia com fim diverso daquele para que foram legitimados, criando com as suas acções ou omissões situações de desgovernança da coisa pública lesivas do interesse de todos em benefício do de alguns,  é certo e sabido que a erupção das tensões sociais é uma questão de tempo.

 

A nossa "geração à rasca" é quase toda filha da geração rasca que no momento próprio [ou impróprio] através da ditadura dos partidos se apoderou do poder e dos lugares de decisão, tanto ao nível da aparelho de Estado como dos orgãos decisores e sindicatos. Esta pseudo élite de políticos rascas  cuja formação académica está  legitimada em exames plenários (com o devido respeito pelas excepções) têm-se agarrado e perpetuado no poder sem outro objectivo que não seja os seus umbigos lustrosos olvidando as gerações futuras que, ora mesmo aí estão, ávidas por aceder ao mercado de trabalho e por vias dele  dar o seu contributo sério ao desenvolvimento do País.

 

Mas como será isso possível a curto prazo  se a geração rasca destruiu as fontes geradoras de postos de trabalho por troca de algumas benesses que só a eles e aos seus clãs aproveitou?

 

Onde stá a pequena indústria que criava e mantinha milhares de postos de trabalho ?

E o pequeno comércio que mantinha outros tantos milhares de postos de trabalho directo e indirecto?

Pergunte-se pela agricultura e os postos de trabalho directo e indirecto que mantinha?

E a frota de pesca e os seus pescadores?

 

Os pobres ficaram mais pobres e, a classe média sem se aperceber, foi canibalisada.

 

O empobrecimento do País aniquilou a indústria da construção civil e, por consequência disso,  muitas outras indústrias periféricas desapareceram .

Regredimos 50 anos como Povo, e voltámos a ser um País de emigrantes.

 

Todo este aparelho produtivo foi hipotecado aos grandes interesses económicos que lucram à escala global, fazendo de nós um País de mendigos com uma geração à rasca, sem vislumbre de dias melhores, sem paz social e em indigência. Em contrapartida. o enriquecimento ofensivo dos grandes grupos económicos e dos indivíduos seus proprietários é uma espiral em constante ascensão.

 

Esperemos que, aqueles que ao longo de trinta e sete anos se têm alternado no poder percebam que é tempo de ir embora sem indemnizações e outras benesses e, darem lugar aos que patrioticamente estejam na disposição de levar o barco a bom porto.

 

 

Notas: alguns dados publicados in "DIÁRIO DE NOTICIAS DE 13/03/2011" [GERAÇÃO À RASCA MOBILIZOU 300MIL EM TODO O PAÍS] [DEPUTADOS RECEBERAM 4 MILHÕES EM SETE ANOS PARA VOLTAR À VIDA CIVIL] EMPRESAS EM QUE OS NOSSOS PARLAMENTARES TÊM PARTICIPAÇÕES LEGAIS OBTIVERAM LUCROS DE 111 MILHÕES] .

 

 

 

publicado por etario às 17:50
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Abril 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30


.posts recentes

. ...

. PRIVATIZAÇÕES

. A BEM DA NAÇÃO

. FEUDALISMO

. ORDEM DOS ADVOGADOS

. DARDOS/HIPOCRISIA

. INCÊNDIOS

. Dardos

. POBRE POVO

. Respeito

.arquivos

. Abril 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Maio 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

blogs SAPO

.subscrever feeds