Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2007

ESTOU CONFUSO

Desde o tempo do PREC (processo revolucionário em curso) e do então Primeiro Ministro   Vasco Gonçalves, que tenho a convicção de que a Democracia é a mais perfeita forma de exercer o Poder. Dizia Vasco Gonçalves, e corroboravam na prática os seus mentores e seguidores, que, para o Governo era preferivel um revolucionário a um competente! Na então  verdura dos meus vinte e tantos anos achava uma enormidade tal afirmação,  pois é de todos sabido que sem competência não há boa execução.

Tantas  foram as asneiras feitas pelos incompetentes  Governantes da época, que inevitavelmente foram Democraticamente substituídos. Mas, isso são contas de outro rosário. 

O que importa mesmo é verificar se no momento actual não estará de volta a máxima de Vasco Gonçalves, mas com outros contornos, ou seja: se em vez da preferência pelos revolucionários, se estará a assistir à preferência pelos protegidos dos Partidos mas igualmente incompetentes. Basta consultar  os meios de comunicação para constatar o que é evidente; Da incompetência reinante  ao compadrío descarado, vale tudo! Os partidos da area do Poder reclamam a nomeação deste ou daquele personagem para ocupar determinado cargo não como imperativo de  provada capacidade técnica para o desempenho da função, mas tão somente porque pertence ao partido X ou Y. É evidente que há excepções, e quando tal acontece, lá vêm os mesmos arautos dos Partidos a reclamar como sua, uma victória que apenas pertence ao bom senso.

Esta Democracia está doente; não por culpa sua, mas por culpa dos que dela se servem!

Snrs Políticos, não esqueçam que ainda estão vivos muitos cidadãos que são contemporâneos da governação de Salazar, Caetano e agora da Vossa desgovernação, e que sabem distinguir  Democracia eleitoral de Democracia oportunista, distingem também pigmeus políticos  de políticos patriotas e competentes. Distinguem ainda Democracia social de facto, de Democracia neo  liberal, do vale tudo, mesmo  a ultrapassagem camuflada das Normas Constitucionais.

ETA

publicado por etario às 18:00
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Domingo, 23 de Dezembro de 2007

O CANTO DO JAPÃO

Já desde o tempo em que se chamava Charneca, Fazendas de Almeirim era um  povoado  formado pelos seus cantos. Cantos, são ainda hoje, os nomes que damos aos aglomerados de habitações que se foram formando em torno de um núcleo ou polo de interesse estritamente localizado. Esse polo de interesse era por regra, a taberna e a mercearia que tinham também anexo a barbearia. O barbeiro funcionava regra geral, ao lado da taberna, sendo a ocupação do espaço  utilizado a título gratuito, ou seja: o consumo na taberna efectuado pelos clientes do barbeiro compensariam a gratuitidade do espaço. E era na realidade assim, visto que, por norma, os homens só ao fim de semana mandavam rapar a barba, e o tempo de espera era ocupado a emborcar "copos de bom branco", o que, como é bom de ver, sem o barbeiro por perto, a coisa não funcionava. Recordo ainda, que nalguns casos, a navalha do barbeiro era um misto de lâmina e de esfregão, pois alguns clientes aproveitavam para realizar a operação "dois em um", ou seja: a navalha que cortava a barba também descolava o pó e a sujidade acumulada ao longo da semana. E era nesta paz dos anjos que os Cantos (hoje alguns já são bairros) iam vivendo.Salvo umas desordens motivadas pelo longo tempo de espera no barbeiro, que é como quem diz, excesso de copos, que sempre traziam à baila umas velhas questões de estremas das propriedades ou de á guas de enxurrada mal encaminhadas. Mas, tudo isso era resolvido com uns socos, e a coisa não passava disso mesmo. Numa coisa, os Cantos competiam entre si! Queriam todos ser considerados os mais trabalhadores; ter o estatuto de canto mais rico e de salvaguardar as  suas donzelas dos ataques dos rapazes dos outros cantos. A maioria da população era iletrada e desconfiava de qualquer peralta que não o fosse, a quem por norma chamavam pi-pi de tabela. Bom, de todos os Cantos, um havia, que "muito embora administrativamente" não pertencesse às Fazendas  era e ainda é considerado como Fazendas. Refiro-me ao Canto do Japão! O Canto do japão desenvolveu-se em torno de um estabelecimento comercial, que era a loja do João Caniço.  Nos idos anos de 1940 e 1950 era o Canto do Japão um conjunto de habitações dispersas, e chamado Canto do Japão, por analogia com os Japoneses, não porque os seus naturais tivessem qulquer semelhança ou  descendência rácica com os ditos Japoneses, mas tão somente pelo facto de serem aguerridos na defesa dos seu território contra a invasão de qualquer estranho; recorda-se, que por essa época (era o tempo da grande guerra) os Japoneses tinham a fama "e o proveito" de ser os guerreiros mais ferozes tendo atacado os Americanos nas suas próprias bases navais. Devido à sua ferocidade na defesa do seu Canto contra o ataque de invasores, (leia-se qualquer estranho que intentasse namorar uma das suas donzelas,) e também pelo pouco convívio com o pessoal dos outros cantos  foi o Canto baptizado de Canto do Japão. Salvo melhor opinião, esta é a versão mais coerente para o nome atribuído ao referido Canto.

E o canto do japão era de tal ordem  fechado a estranhos, que qualquer um que por ali aprecesse com intenções  (ou sem elas)de tomar parte num bailarico era concerteza  vitima da fúria defensiva dos rapazes lá do bairro. As histórias que então se contavam das ocorrências nos bailes do Canto do Japão eram tão pitorescas, que um conhecido poeta da nossa terra, num dia de feliz inspiração dedicou uns versos lá ao Canto do Japão. Mas antes de reproduzir os versos, terei de descrever mais uns quantos personagens que marcavam figura na nossa terra e que por isso mesmo, também são alegremente mencionados no poema.

Havia o Joaquim Sabino, cujo estabelecimento (não sei se já vinha do seu pai) era o polo do  Canto Negro. Este personagem era comerciante de sucesso e assíduo frequentador da missa aos Domingos. Mais tarde, talvez na tentativa de captar alguns clientes ao Joaquim Sabino abriu um outro estabelecimento de taberna e mercearia; era a loja do João Crospe, mas, vá lá saber-se porquê, esta loja nunca teve clientela passando apenas a fornecer apenas o próprio agregado familiar. Era portanto uma loja para gasto de casa.Havia um outro personagem que era alfaiate e  tinha a alcunha de borreco; este alfaiate tinha o seu atelier montado no bordo do poço, local onde sentado ao sol costurava; refira-se que o alfaiate tinha uma perna torta.

Não devo esquecer o Cabeçana, assim chamado pelo tamanho algo exagerado da sua cabeça; este personagem tinha duas características que o distinguiam dos demais: era imberbe, apesar dos seus sessenta e alguns anos, e nunca trabalhou. Havia ainda o Gabriel Decilitro, (assim chamado pelo seu tamanho, media à volta de 1,50 de altura)barbeiro de profissão, mas acumulava as funções de relojoeiro e dentista.  Havia o João Careca padeiro de profissão e pescador inveterado que tinha a particularidade de não ter filhos. Finalmente, havia o Gargola, homem que ficava furioso quando lhe falavam em bola ou outro desporto qualquer;vá lá saber-se porquê!

Bom, na posse de todos estes elementos, o João Mateus, homem  de verso fácil e crítica mordaz criou os versos seguintes:

 

Mas que grande catrabocada!

Vocês não ouviram dizer nada?

Rebentou a revolução,

lá no canto do Japão, 

Na loja do João Caniço

Anda um grande reboliço

E ali tudo desanda,

Chegou lá um Lisboeta

Apertaram com ele à galheta

Puseram-lhe a cara à banda.

 

Corre o Joaquim Sabino

À capela tocar o sino

Põe o povo em alvoroço

O joão Crospe fecha a porta       (vejam só os clientes que perdeu)

E o Borreco da perna torta

Catrapúz, cai dentro do poço.

 

Estava o Cabeçana a fazer a barba no Gabriel      (recorda-se que o Cabeçana era imberbe)

E nisto;... Diz!

Tou farto de trabalhar .................................................(nunca trabalhou)

Vou-me enforcar

com um cordel

 

Acudam que agarram o Gargola

Dentro do Campo da Bola........................................(impossivel)

E por certo haverá tareia

O João Careca ao ouvir isto

Pede a Jesus Cristo

Que livre os filhos da cadeia..................................................(impossivel)

 

Esta é mais uma história simples da gente simples cá do meu Burgo.

ETA

publicado por etario às 21:26
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Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2007

QUANDO OS LOBOS DESCEM AO POVOADO

Nos tempos em que eramos crianças de escola contavam-nos que quando os lobos desciam aos povoados  era por não haver comida no seu habitat natural, ou seja: quando os fortes nevões tudo cobriam de branquinho, e os pobres lobos, famintos e sem possibilidade de caçar, não tinham outro remédio que descer aos povoados para num golpe de audácia atacarem os rebanhos dos agricultores. Era um ciclo  de certo modo esperado pelos donos dos rebanhos, que entendiam como natural, a necessidade de alimento dos ditos lobos e das suas crias.  Ainda assim, tais ataques não eram, nem são ainda, vistos com benevolência pelos donos ou encarregados desses rebanhos, pese embora a luta dos ecologistas no sentido do esclarecimento das populações pela necessidade de existência das feras nas serranias. Mas, apesar  dos prejuízos causados, e sob a promessa de indemenizações os actuais proprietários dos  rebanhos lá vão aguentando (alguns até incentivando) a presença dos lobos, desde que, no seu habitat natural. 

 

Mudam-se os tempos, os lobos actuais já não são como os lobos tradicionais; o seu habitat já não são a selva e as serranias. Os lobos actuais movimentam-se  misturados na população e já não atacam por fome ou necessidade, mas tão somente, pela satisfação de uma gula que não tem fim, continuando a atacar as povoações indefesas,  com técnicas sofisticadas, e quando é preciso, atacando em alcateia. É uma luta desigual que travam os aldeãos contra as alcateias que atacam em grupo, cientes da sua força e do seu poderío.

 

O rebanho assiste impotente, ao seu enfraquecimento e extremínio, sabendo que a culpa não é só dos lobos. A culpa é daqueles que se julgam donos do rebanho e daqueles que deviam ser os seua guardadores; o rebanho sabe, que aqueles que se julgam seus donos, transmitem ordens aos seus maiorais no terreno, para que abram as cancelas do redil para que os lobos se possam banquetear à vontade, levando ainda os despojos das vítimas; triste fado o do rebanho, que tais donos e maiorais tem. Mas, o rebanho pode um dia dizer basta! E quando pedir contas aqueles que se julgam donos do rebanho, e aos seus maiorais, ser já demasiado tarde, ou seja: poderá castigá-los com a única arma que tem ao seu alcance, mas, o produto do saque e os restos do banquete, já estará a salvo e à ordem da alcateia, que prepará novos ataques a novos rebanhos.

 

Mas deixemo-nos de fábulas!

Transportemos a fábula para o que se está a passar em Almeirim! Será que em Almeirim se justifica tanta área comercial? Será que nas grandes superfícies instaladas, os produtos horticolas vendidos são produzidos pelos agricultortes do Concelho de Almeirim? Será que a carne vendida é produzida no concelho de Almeirim? Será que os postos de trabalho criados (com que se tapa os olhos à população) são definitivos, ou seja: os trabalhadores não são postos na rua findo o contrato? Será que os postos de trabalho hipotéticamente criados compensam os que na realidade se perdem ou deixam de se criar? Pergunta-se ainda; quantos postos de trabalho devidamente legalizados criaram os chineses que se instalaram  em Almeirim? E finalmente a pergunta -se: Quanto pagam de derrama as ´´areas comerciais instaladas em Almeirim?  Pode-se seguramente afirmar que pagam zero ou pouco mais que isso. E os chineses? Quanto pagam de derrama os chineses?Todos estes lobos dos tempos modernos, têm a sua sede fora de Almeirim (excepção feita a um pequeno franchising)  levando para fora do Concelho toda a mais valía, não pagando por isso os impostos no Concelho; Pagar derrama? Isso é para os que continuam a teimar em ter a sua sede em Almeirim , a lutar contra os lobos e contra os maiorais que lhes facultam a  entrada,  ficando cada vez mais enfraquecidos 

Então, os que se julgam donos do rebanho, que dão ordens aos seus guardadores para abrir as cancelas do redil, não têm o mesmo zelo para encaminhar para Almeirim umas indústriazitas  que  criem postos de trabalho de verdade, em que, pelo menos, a mais valía da mão de obra fique no concelho? É conveniente, e urgente, que os guardadores do rebanho digam aos seus patrões que o Concelho de Almeirim já foi um concelho rico, e que, a continuar assim, provavelmente será num futuro próximo um concelho muito pobre, e, quando tal acontecer,  os maiorais irão concerteza ser outros.

 

ETA 

 

 

publicado por etario às 15:15
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Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007

HISTÓRIAS SIMPLES DA GENTE SIMPLES CÁ DO MEU BURGO

A história que me proponho contar-vos é um misto de realidade e ficção; sem dúvida, muito mais realidade que ficção. Dado que a versão original já não poderá ser confirmada pelos protagonistas, pois já não  pertencem ao número dos que ainda por cá mourejam, irei, na medida do meu conhecimento pessoal acerca dos personagens da história tentar reproduzir a dita o mais fielmente possivel. O essencial da história será mantido, o relato situado na época do acontecimento e por razões óbvias, (salvaguarda de susceptibilidades familiares) os nomes  serão alterados.

Como poderão analizar, os termos desbragados da linguagem são um retrato do modo de falar simples e claro da época.

Então lá vai!

Muito antes da passagem das fazendas a freguesia, a nossa terra era um conjunto de bairros dispersos, que devido à sua baixa densidade populacional se chamavam cantos; havia assim o canto negro, o canto do Sporting, o canto do Japão o canto da Baixa, o canto dos Vitais etc.

As estradas eram práticamente inexistentes sendo os caminhos um mar de areia ou pedras no Verão e um mar de água na altura das enxurradas; caminhos havia,  que durante o Inverno estavam permanentemente alagados impossibilitando por isso o acesso às propriedades e as comunicações por via normal da época, ou seja: de carroça. Foi numa dessas épocas de Inverno que um pai preocupado com a educação do seu filho varão e mais velho da prole, sentenciou para a mulher Maria! "Tás óvir, o rapá vai mais é pá escola, pra vere sele na é um bruto assim cmó pai e ó menos sempre aprende a ler a escruver e a cuntar. Ficou radiante a ti Maria, que era mulher já dada aos conhecimentos e, cuja pena maior, era não ter podido aprender a ler e a escrever. Ficou então assente naquele serão passado ao canto, (local onde se fazia os cozinhados com lume no chão) que o Manel iria pá escola apesar de já ter doze anos e ser um matulão com físico de homem jovem.

Numa manhã de chuva intensa, o Manel não queria ir à escola, mas a ti Maria, que havia jurado que o seu Manel havia de ser o orgulho lá da casa e do Canto insistiu a toque de chapada e lá o correu em direcção à escola. Ao final da jornada escolar,  quando o Manel chegou a casa(e porque lhe tinha ficado a pesar a consciência de ter batido ao rapá) a ti Maria preguntou:Manel, há filho, então molhaste-te munto? Respondeu o rapá: atão na havia de molhar; insiste a ti Maria; atão e o qué que disse a Senhora (leia-se professora)? Responde o Manel:a Senhora disse; hé rapaz como tú estás todo molhado, e eu disse à Senhora que estava todo mulhado até aos colhões.

Perante esta tirada do Manel, a ti Maria rompeu num pranto e começou a desancar mais uma vez no Manel dizendo que ele era um mal inducado e um malandro, se aquilo era conversa que se dissesse à Senhora, e que agora, por vias disso, ela já não o passava de classe e que assim continuaria a ser um bruto como o pai, etc, etc,. Perante tal alarido, o ti João, assim se chamava o chefe do clã, aproximou-se muito lentamente (deslocava-se com o auxílio de duas muletas)  do local da discussão e preguntou? Atão qué que foi pra haver tanto barulho! A ti Maria lavada em lágrimas lá contou ao ti João as diatribes do Mnel e sentenciou de imediato que ele, ti João, tinha de ir pedir desculpa à senhora. Foi de imediato aparelhado o burro (meio de transporte utilizado plo ti João para alguma deslocação mais longa) e lá partiu ele pra ir pedir desculpa.

O diálogo entre o ti João (que falava como quem soluçava) e a Senhora foi mais ou menos assim! hò mnha Senhora, eu vanho aqui pra pedir desculpa pa quele malandro que na tinha nada de vir cum estas cunversas pá Senhora e agora se calhar a Senhora nim já o passa de classe nim nada; a Senhora benevolentemente respondeu: deixe lá snr João não se preocupe que eu não levei a mal a conversa do rapaz, além de que temos de dar um desconto porque são crianças. Aí é que o ti João afinou , pois ele tinha muito orgulho no enorme cabedal (corpo)que o filho já tinha e estava ali a professora a chamar-lhe criança; Então o ti João não se conteve e disse: criança? Se a Senhora visse bem aquele bocado de picha co rapá tem até se admirava.

Feliz por ter resolvido o assunto da passagem de classe do rapá, o ti João lá regressou a casa, mas não sem ter emborcado um copo em cada tasca que ficava de caminho, e que, o burro qual autómato já conhecia lindamente, não sendo necessário o ti João mandá-lo parar na entrada.

Chegado a casa, e feliz pela missão cumprida, logo foi assoberbado pla ti Maria que estava desejosa de saber como é que tinha corrido a coisa, e vai daí, preguntou! Hó João atão pediste desculpa à Senhora? O ti João impante de orgulho lá explicou à aflita Maria que estava tudo resolvido e que ficasse descansada. Mas a dita Maria que conhecia bem a peça que era o sê home, não descansou e pediu que ele repetisse o diálogo que tinha tido com a Professora. Então o ti João lá contou tudo e até disse que a Senhora tinha pensado co rapá era uma criança e ele disse logo, que se ela visse o bocado de picha que ele tinha, ela até se admirava mas, que se tinha esquecido de dizer co rapá já pintava (leia-se estava na puberdade). A ti Maria desta vez ía desmaiando, e só não deu o mesmo tratamento ao ti João que tinha dado ao filho por uma questão de respeito e medo, porque o ti João, apesar de desvalido das pernas na era pera doce.

Perante tanta sucessão de asneiras a ti Maria agora já quase com a certeza que a Professora na ía passar o sê Manel de classe, em desespero de causa teve uma ideia luminosa; ela é que ía salvar a situação: e se bem o pensou melhor o fez: Foi à galinheira escolheu uma das mais gordas galinhas e em paço rasgado lá arrancou em direcção à escola com a intenção de oferecer a galinha à Senhora, e assim acalmar a má imagem deixada pelo filho e pelo marido.

E foi ofegante que chegou à escola e desabafou prá Senhora! Hó minha senhora eu venho aqui pra pedir desculpa plo malandro do rapá e plo malandro do pai que veio prá qui só com cunversas de merda e atão a Senhora fique com esta galinha que até tava gordada pá gente comer no Natal, mais por favor passe o rapá de classe. A professora deitando um olho guloso à galinha lá tranquilizou a ti Maria dizendo que ficasse descansada porque desculpava tudo na medida em que um era criança e o Pai já era velho; ora a ti Maria quando ouviu chamar velho ao João na se conteve e disse logo à Senhora! Velho? Ainda esta noite me deu duas f das.

Da reacção da professora desconheço as consequências, mas sei que o Manel não passou efectivamente da primeira classe, creio que não foi por má vontade da professora mas tão somente, porque entretanto chegou a Primavera e o Manel teve que ir desgastar o cabedal a dar água à cura para as vinhas dos campos de Almeirim.

Era assim, a gente simples e boa, cá do meu burgo

ETA

publicado por etario às 23:10
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