Domingo, 16 de Maio de 2010

Salazar ainda assusta

O velho hábito de ler jornais  muitos dias após a sua publicação, levou a que lesse uma notícia publicada "in O Mirante de 05/05/2010, pág 33," que, não psso deixar de comentar.

 

O título rezava assim: "Eleitos do MIC de Coruche elogiam regime de Salazar na assembleia municipal ,SIC."

 

 Depois, em sub-título de menor dimensão: Sessão ficou marcada por troca de galhardetes a propósito de saudações feitas à Revolução dos Cravos.

 

Pelo desenvolvimento da aludida notícia se ficou a saber que os Deputados Municipais do MIC de Coruche não apoiavam a moção de apoio ao 25 de Abril, e, davam as suas razões para esse não apoio. Com a devida vénia transcrevo parte da declaração do Deputado Municipal que lidera o MIC de Coruche, igualmente publicada no desenvolvimento da referida notícia;..... SIC. "não posso votar favoravelmente uma moção que apoia um golpe de Estado, que por incompetência e leviandade acabou numa revolução onde quem fez o golpe não ficou com o poder e o poder caíu na rua, dando azo a todo o tipo de anormalidades, que só não se tornou numa ditadura comunista devido ao contra golpe do 25 de Novembro.

 

Por estes Deputados Municipais,  foram feitas ainda outras menções elogiosas correlacionadas com o estado da Nação no período de antes do 25 de Abril de 1974, mencionando o facto de, nesse tempo, ser Portugal um País respeitado internacionalmente, crescendo 6% ao ano havia emprego e estabilidade, a guerra do Ultramar estava ganha e tudo estava calmo, rematando com a pergunta : seria necessária uma revolução? E concluía que, agora sim, "temos tudo para que exista uma revolução, com o povo na rua, a contestação e a falência do País no horizonte.

 

Claro que a oposição, (segundo a dita notícia), contestou as afirmações, considerando-as um insulto.

 

Pois bem, as palavras do deputado Municipal do MIC de Coruche, levam-nos a uma reflexão de natureza axiológica com o passado recente,  e, finalmente,   alguém tem a coragem de dizer publicamente aquilo que uma grande maioria pensa baixinho.

 

Em boa verdade, e ressalvando o que de demagógico possa existir naquelas afirmações, para um Português, ou mesmo não o sendo, que tenha vivido os dois períodos políticos em questão, fácil se torna concluir que, existe muita verdade nas afirmações produzidas pelo deputado Municipal do MIC de Coruche .

O  humilde escriba destas linhas viveu os dois períodos políticos, tendo prestado serviço militar obrigatório no período de antes do 25 de Abril de 1974, portanto, em período de guerra no ultramar. Das reflexões, já muita vezes feitas, não tem sido possível, com certeza concluir, qual o período melhor ou pior, em termos globais. Releva a favor do período de antes do 25 de Abril de 1974, a incógnita do que teria acontecido em termos políticos e sociais, se não tivesse ocorrido a revolução dos cravos. Mas,  fica uma certeza quase absoluta; em termos sociais, políticos, económicos e de prestígio internacional, muito perdemos com a revolução. Somos agora um País periférico de uma Europa que faz o favor de nos acolher como membros, mas, com o rótulo de País sem políticos e políticas credíveis, em que, os seus governantes se embrenham em manobras de corrupção, cujo apuramento de responsabilidades e correspondente condenação, se perdem em intermináveis inquéritos. E isto é, a negação pura e simples, do ideal revolucionário de Abril de 1974.

 

 No período de antes de 25 de Abril de 1974, (vigência do Governo do Prof Marcelo Caetano) a política nunca foi uma actividade profissional , mas sim uma missão, para a qual eram escolhidos os melhores, havendo  respeito ou temor, no modo como se gastava os fundos públicos. Havia uma hierarquia que era respeitada e actuava célere contra os que ousassem desobedecer.

 

Éramos respeitados internacionalmente, independentes e não mendigávamos nada a ninguém, e, internamente,  não tínhamos a possibilidade de ser libertinos, vadios, arruaceiros, abusar de poder (como hoje fazem os sindicatos à ordem dos Partidos de esquerda). E, quem não cumpria com os seus deveres, cometendo crimes, era julgado e cumpria  a pena ou sanção a que fosse condenado até ao fim.

 

Com a revolução perdemos quase tudo! Apenas ganhamos a ilusão de que somos livres.

 

publicado por etario às 22:28
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1 comentário:
De Teixeira de Pascoaes a 17 de Maio de 2010 às 12:27
Meu Caro, gostei de ler a sua análise, aqui ficam as intervenções integrais dos deputados do MIC.

http://www.miccoruche.org/

De facto, a imprensa dita "livre" não é totalmente imparcial e escolheu o seu lado... o que a meu ver até legitimo, contudo o que deve ser frisado, é que os jovens de Coruche, disseram o que há muito o Povo diz em surdina, mas ainda tem medo do fel e das rechaçadas que os filhos deste regime lhes podem estoucar. Haja mais verdade no contar dos factos, da nossa história recente e teríamos um País melhor. Parabéns a quem é verdadeiramente livre!


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