Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

ao sabor das teclas

Voltei este ano a vaguear pelas ruas desertas da cidade em final de dia de S.Valentim (1). Confesso que , esperava voltar a ver o amigo que no ano anterior, e  exactamente no mesmo dia, encontrara com o nariz colado na montra do ourives a olhar e a avaliar o valor das joias expostas, tendo ele chegado à conclusão que por muito valor material que algumas tivessem, jamais se igualaria ao valor desse sentimento que nutrira e ainda nutria por uma namorada, que então, já não era. Apesar disso,"contou-me ele" ainda a amava!
 
E, na verdade, acabei por encontrá-lo; desta vez não estava na montra do ourives, mas sim na esplanada do café que habitualmente frequenta. Achei qe estava mais solto de sentimentos e com ar de alheamento ao simbolismo do dia dos namorados.
Depois dos cumprimentos habituais, a conversa inevitavelmente derivou para o dia de S.Valentim e para a recordação da conversa do ano anterior.
Fiquei surpreendido pela revelação que me fez; disse que o amor é como uma chama que necessita de combustivel para se manter acesa, e que a reserva desse combustivel faz durar mais ou menos a chama consoante é alimentado só por um ou pelos dois. Disse ainda, que o combustivel que alimentou esse amor era só à sua custa, ou seja, era só ele que amava, tendo ela apenas feito de conta. Disse mais; que sabia que isso era assim e apesar de tudo continuou a alimentar esse amor em segredo, até que, por acção da decorrência do tempo a reserva de combustivel quase esgotou. Ante a minha interrogativa de quase, retorquiu que, tal como o faroleiro quando apaga o farol por falta de combustivel sempre guarda uma última gota  para salvar um outro naufrago, ou quem sabe, o mesmo se este de novo se fizer ao mar e lançar o SOS, também quem ama, sempre guarda uma reserva de amor para alimentar um novo amor ou quem sabe, o mesmo.
 
Voltei com a convicção de que as metáforas deste meu amigo guardam um fundo de mágoa e revolta por algo que ocorreu e não me contou mas que o devem ter magoado imenso.
Apesar disso, ainda lhe vi o mesmo brilho nos olhos que vira no ano passado quando falou do imenso amor que suplantava o valor de todas as joias do ourives.
Talvês por ser dia de S.Valentim, ou por ser um eterno enamorado; fosse pelo que fosse,o brilho lá estava, por isso; que viva S.Valentim, que vivam todos os amantes (no sentido idilico do termo) que vivam todos os que ainda têm capacidade para amar.
 
 

publicado por etario às 15:43
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