Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

LAPIS AZUL

Não há dia (ou noite) que liguemos a tv que não sejamos bombardeados com a palavra crise. Mas qual crise? Se há tantas crises,  porque não nos explicam direitinho qual é a crise a que se referem. Provavelmente será a crise financeira ou económica de que tanto falam. Pessoalmente, não vejo onde está a razão de tanto alarido pois a  crise já é velha conhecida da população portuguesa, ou melhor, de alguma população.Esta população, ( a que já há muito  conhece, sente, convive , vive em e com a crise)  nada  tem a recear; eu explico melhor: para um reformado que mal ganha para uma refeição diaria e ainda tem de comprar medicamentos e fazer face às outras despesas, se  lhe disserem que há crise, ele só pode ter uma de duas reações; ou ri que nem perdido ou pensa que estão a rir-se dele, pois a crise já ele sente desde sempre, e portanto, pior não pode ficar. Mas haverá outra classe da população portuguesa que também quererá que lhe digam qual é a crise, já que da económica apenas alguns terão uma vaga lembrança; refiro-me aos funcionários públicos e a todos aqueles cujo rendimento não depende de produtos fabricados ou vendidos. Para estes, o rendimento é certo, naguns casos elevado e, este ano como todos, até sofreu um aumento, sendo que, devido à desinflação  passaram a comprar as coisas mais barato. Necessitam pois, que lhes digam qual é a crise. Há ainda os que devido a poupança ou outro meio têm o seu pequeno pé de meia; estes sim vivem aterrorizados com a palavra crise não sabendo a maioria o que significa mas sabendo "isso sim" que quando tanto se fala em crise há que não gastar nem um centimo.

Finalmente há, os que não podem nem ouvir falar em crise; estes estão divididos em duas categorias: por um lado, os gananciosos que apostaram em aplicações financeiras de alto risco com ou sem conhecimento do facto, e que, por vias disso ficaram sem o dinheiro que anteriormente haviam conseguido por essa via mais algum do seu próprio, não esquecendo  os especuladores da bolsa, que agora (alguns) se sentem muito ofendidos porque as acções baixaram de cotação e eles ficaram sem o rico dinheirinho que já antes haviam especulado. Para estes, apenas e só uma palavra: as acções devem ser compradas para a obtenção de dividendos e não para especular, pois tal prática "especulação" equivale ao jogo no casino, ou seja: tanto pode ganhar como perder. Finalmente, os que não podem  ouvir falar em crise e com justificada razão são os que sem culpa alguma lhe sentem os efeitos imediatos e futuros devido à deflação. Refitro-me aos fabricantes que não vendem os seus produtos, aos comerciantes que não conseguem escoar os seus stoks, aos trabalhadores duns e doutros que sem qualquer culpa não irão receber a remuneração do seu trabalho. Para estes e suas famílias,  sim há crise. Para os milhares que vivem da construção civil e que sem culpa se vêm lançados no desemprego; para os milhares de agricultores e suas famílias que não conseguem suportar os preços dos combustiveis e dos adubos  não conseguindoescoar os seus produtos já que as grandes superfícies vendem preferencialmente os produtos estrangeiros, para estes, sim há crise.

Se os editores dos noticiários televisivos tivessem a sensibilidade de entender que é mais importante a paz social  do que o sensacionalismo das notícias, dariam as notícias que tinham que dar e, cada um que delas retirasse as ilações que entendesse. Melhor dizendo; se não falassem tanto da crise, as classes que não vivem nem viverão em crise continuariam a fazer as suas compras normais e assim talves as fábricas começassem a escoar um pouco mais dos seus produtos, e os trabalhadores que sentem realmente a crise passassem a senti-la menos. Se os analistas políticos que se vão pavonear à televisão para falar da crise tivessem a honradês de assumir que não tiveram a coragem uns, e a competência outros, de, em devido tempo prevenirem a população para os maleficios da crise, talvês os efeitos com que agora assustam as pessoas não se viessem a verificar ou pelo menos seriam de menor intensidade.

Que se diga de uma vez por todas ; quem manda nos países não são os governos, sejam eles quem sejam. Quem compra, quem vende, quem promove ou despromove governos pessoas e coisas são os meios de comunicação social, especialmente as televisões.

Já que em nome do sensacionalismo, das quotas de audiência e, dos shares que permitem o aumento da facturação de publicidade, não existe ética ,respeito, ou preocupação com os efeitos nefastos da repetição (até à saturação) de notícias alarmistas,, não seria má ideia voltar-se à política do lápis azul.

É que, com o lápis azul talvés o impacto da crise económica fosse aquele que deveria ser, a crise da gripe das aves não causaria milhões de euros de prejuizo aos agentes  económicos intervenientes nesse circuito e provavelmente o loby fabricante de vacinas para as aves facturasse um pouco menos. Morreu alguém com a gripe das aves? Pensem nisto.

Para que não fiquem dúvidas; não sou um adepto do lápis azul, mas que faz falta, lá isso faz.

Notas:

1- Ontem o sr. Jaime Antunes (o eterno candidato à presidência do Benfica) deu uma péssima imagem de economista com os comentários (em jeito de conselho) que fez acerca do modo como se devem comportar económicamente os Portugueses. Faz pena ouvir um licenciado em economia dizer tais disparates.

2- O Dr João Salgueiro, seu par na entrevista, pertence ao número daqueles que tinha o dever de vir à televisão lançar o alarme acerca das vigarices que os seus pares andavam a praticar. Trata-se de um homem sério, mas, tal como à mulher de Cesar, não lhe basta ser sério tem de demonstrá-lo.

 

publicado por etario às 00:07
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