Domingo, 16 de Novembro de 2008

ACUSO

Hoje, nas calmas, depois de passar a onda de choque provocada pela manifestação dos professores , disponho-me, na qualidade de cidadão pagador de impostos a fazer uma análise aos antecedentes da referida greve. E, sustento essa análise no seguinte:

 

a) Quem, como eu, já viveu mais de cinquenta anos certamente se recordará do tempo em que o ensino era isso mesmo; os que estudavam tinham notas positivas e passavam de ano, ao invés, os que o não  faziam, ficavam a repetir o ano.

Não gostaria de continuar sem uma palavra para os alunos que  nesse tempo, sem quaisquer condições de ordem material ou até familiar, todos os dias voltavam à escola, onde passavam o dia sem refeições, comendo apenas a  bucha que o magro orçamento dos pais lhes tornava  possivel, e ainda assim, isso não os impediu de ser excelentes alunos, e mais tarde, na vida que cada um prosseguiu, serem homens integros e bons chefes de família. 

b)Nesse tempo, de carências materiais e não só, os professores eram isso mesmo, ou seja, eram professores por vocação; eles sabiam que a sua responsabilidade era enorme e transcendente, ou seja: eles sabiam que dos bancos da escola sairiam os futuros homens e mulheres que haveriam de fazer um país ser grande, e que essa grandeza a todos os niveis depende de uma sólida formação escolar , moral e patriótica. 

c) Havia então uma taxa de analfabetismo elevada; na realidade assim era, porque:

1º - resultado de um atraso crónico em termos de democratização do ensino, fruto de políticas irresponsáveis executadas por governos irresponsáveis de então.

2º- critérios realistas de classificação do analfabetismo, ou seja:  em termos estatísticos, semi- analfabeto continuava sendo analfabeto fazendo parte dos analfabetos. 

Com a Revolução de Abril, todos  aspirámos a uma melhoria de vida a todos os niveis, especialmente na democratização do ensino, e o que aconteceu, a meu ver, não foi exactamente isso.

O ensino não foi democratizado; o ensino foi politizado. Assim, os professores(a maioria) demitiram-se da sua função de ensinar e tornaram-se políticos ao serviço de partidos que de democráticos pouco ou nada tinham, e, do ensino, apenas pretendiam um emprego de funcionário público. Esses pseudo professores tornaram-se sindicalistas, não em defesa da sua classe e das condições de trabalho que lhes permitisse um desempenho pedagójico de qualidade, na nobre  função de ensinar . Esses professores sindicalistas nunca contestaram os programas de ensino feitos à medida das tendências políticas dos governos, que sabiam estarem contra natura aos resultados de eficiência do ensino. Os casos mais gritantes de desleixo deontológico dos sindicalistas representativos dos professores, foi terem consentido 

as políticas de ensino que permitiam que os alunos subissem de ano sem os necessários conhecimentos, para que os governantes pudessem dizer que tinham baixado a taxa de analfabetismo. A esses sindicalistas apenas interessava a obediência ao partido de que faziam parte, e em troca, passavam a trabalhar menos (o aluno passava de ano quer soubesse ou não) e  receberem para a classe aumentos salariais e melhorias na progressão de carreira. Isto foi um descalabro gerador de uma legião de semi-analfabetos que não contam para as estatisticas de analfabetismo, mas que, são na realidade analfabetos funcionais.

Este status quo já dura há trinta anos, e naturalmente, os alunos do pós 25 de Abril são agora pais e encarregados de educação que devido à falta de educação, instrução e disciplina que tiveram nos bancos da escola, transmitem esses valores aos seus educandos e como consequência temos agressões por parte dos alunos aos professores e quando não é suficiente vêm os pais (antigos alunos) agredir os professores.

Queixam-se os professores mais novos desta falta de disciplina, e têm razão. Não foi a nova geração de professores que esteve na origem desta pouca vergonha! Repare-se que eu digo professores; não digo funcionários públicos(que se pensam professores) que estão no ensino como se estivessem em qualquer repartição do estado procurando trabalhar pouco e mal, sabendo que o vencimento sempre aparece.

Assim, os novos professores devem estar atentos aos professores viciados em não trabalhar, que defendem que os alunos devem passar de ano sem saber peva da matéria e que se recusam a ser avaliados. Por outro lado, se não estão de acordo com o modelo de avaliação imposto pelo ministério, então elaborem um de per si, e submetam-no à apreciação.

Não se compreende que uma classe  se julgue acima de todas as outras no tocante à avaliação do seu desempenho profissional; todos somos avaliados, e do resultado dessa avaliação (directa ou indirecta) depende a triagem entre quem é, ou não, competente para determinada função ou quem tem ou não exito profissional.

É que, os cidadãos pagadores de impostos de onde saem os vencimentos e as reformas quase ofensivas  que são pagas a pseudo professores, que em ultima rácio são os responsáveis por todo este caos, estão cansados de ver individuos pertencentes a uma classe profissional, por quem se deve trer o maoir respeito, a procurar não ser avaliados. Na verdade, quem não tem competência ou vontade de trabalhar não quererá ser avaliado, continuando desse modo, "qual parasita", a usufruir do trabalho dos colegas.

Aos novos, e a alguns actuais professores, apenas uma advertência: a função de um professor é ensinar, formar cidadãos e sentir que com o seu trabalho tornou o seu país melhor e mais justo, e não ser peão ao serviço de partidos políticos.

Os cidadãos agradecerão e reconhecerão essa conduta.

 

 

 

 

publicado por etario às 18:23
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