Sábado, 4 de Outubro de 2008

REFLEXÃO

Depois do muito que se tem falado, parece a despropósito insistir num tema que já cheira a môfo,, apesar de continuar na ordem do dia; ou seja: a crise.  Não estarei muito longe da verdade se disser que muita gente, uns por falta de esclarecimento, e outros por não querer saber, ainda não indagaram qual é a razão da crise, e  onde é que a crise os pode ou não afectar.

Na verdade, tudo tem um começo:

1º- tudo começa com a possibilidade da cedência de créditos inter-bancos

2º- Esses créditos para serem sólidos, têm como garantia, por via de regra, uma hipoteca .

3º-Mas, para que essa hipoteca seja sólida, por norma, está baseada num bem imóvel. normalmente uma moradia de família, e não só.

4º-O possuidor do bem alvo da hipoteca tem o dever de ir pagando a mensalidade correspondente ao contrato então firmado com o entidade fornecedora do crédito.

5º.Em caso de incumprimento, o Banco executa a hipoteca e salda o seu crédito pela venda de tal bem.

Isto, à partida, é um negócio seguro e de grande rentabilidade, mas, para que tal aconteça são necessários dois itens fundamentais:

1º- que o devedor pague pontualmente as prestações resultantes do contrato .

2º que o imobiliário tenha uma inflação moderada(normalmente superior ao juro cobrado

pela banca.).

Mas, voltemosà cedência de crédito! Por pura ganância dos bancos, foram concedidos empréstimos para a aquisição de casa a um grande leque da população que jamais sonhava vir um dia a beneficiar de tal cr´edito, por falta das condições minimas habitualmente exigidas em tais opereações de crédito. Mas ainda assim, o Banco emprestava e  ficava com a garantia de pagamenmto , através da hipoteca sobre o imóvel. A população,que de um momento para o outro se viu com a possibilidade de comprar casa, não exitou; recorreu ao crédito hipotecário e comprou casa. Este fenómeno teve como consequência uma extraordinária procura, o que, como é obvio, resultou numa inflação no valor dos imóveis. Este fenómeno foi transversal à Europa e aos Estados Unidos da América do Norte, mas com especial incidência neste País.

Até aqui, continua tudo normal, só que, como se disse de início, a ganância dos Bancos é desmedida, e, não satisfeitos, queriam cada vez mais aumentar os seus negócios. Deste modo, foram continuando a financiar tudo e todos esgotando o seu stok de dinheiro, e,  para o

reporem cediam uns aos outros os créditos resultantes das hipotecas que possuiam.

É evidente que o Banco que aceitava estes créditos doutro Banco, o fazia por um valor mais baixo do que aquele porque havia sido emprestado inicialmente, só que, o Banco que os cedia, ralizava imediatamente dinheiro para continuar a emprestar a juro alto e seguro com hipoteca. Entretanto, o Banco cessionário (o que comprava as hipotecas) pensava fazer também um bom negócio porque o imobiliário subia a um ritmo superior ao preço pago.

Tudo isto não era mais do que um esquema de piramide (há quem lhe chame engenharia financeira) que assentava numa base, cujo suporte era o beneficiário do empréstimo continuar a pagar as mensalidades, e o imobiliário continuar a aumentar . Ora, como é bom de ver, as piramides a partir de certa altura (especialmente se as bases não são sólidas) desmoronam-se. Mas, o cúmulo da ganância ou do desespero, surgiu quando os Bancos nos Estados Unidos, numa avidês sem limites começaram a fazer os empréstimos de alto risco, ou seja: desde que fosse para comprar casa, o possivel comprador não necessitava de ter outros bens para dar de garantia, nem trabalho, nem dinheiro, nem importava o limite de idade. Eram os chamados empréstimos de alto risco, (também chamados NINJA ou SUB PRIME). Consideravam os experts financeiros que a inflação do imobiliário cobriria todos os desvios. e riscos.

Esta ganância originada pela engenharia financeira também chegou à Europa, e , os Bancos Americanos já sem fundos para fazer face à tremenda carteira de hipotecas que possuiam começaram a financiar-se junto dos Bancos Europeus que, gulosamente iam comprando por baixo preço os créditos de risco dos Bancos Americanos, ou seja: compravam barato os titulos de alto risco (os tais SUB PRIME)que os Bancos Americanos  lhes vendiam. É bom de ver que os Bancos Europeus também estariam convencidos de que iriam recebendo as tranches dos Bancos devedores, e, em ultimo recurso, executariam as hipotecas, o que, sempre daria para saldar as contas. Noutros casos a manobra foi mais sofisticada; ou seja: os Bancos Americanos venderam aos Bancos Europeus, titulos de carteiras cuja sustentabilidade financeira era compostas por hipotecas SUB PRIME. Para abreviar a doutrina, dir-se-á que os clientes que haviam contraído os empréstimos deixaram de pagar as mensalidades das hipotecas (claro se eles quando lhes emprestaram já não tinham modo de pagar) e como consequência, os Bancos deixaram de receber, o que originou a falta de liquidês necessária a qualquer instituição financeira. Como consequência o imobiliário baixou drásticamente e o valor das hipotecas

baixou a niveis incomportaveis, originando a falência dos Bancos e instituições envolvidas no processo.

Claro que os Bancos Europeus não ficaram imunes à ecatombe, já que haviam comprado grandes quantidades de titulos, que embora baratos, agora se verificava não valerem práticamente nada.

Consequências para o Zé Povinho Europeu:

1º- Se o Banco Central Europeu não injectar grandes quantidades de Euros no sistema financeiro (diga-se nos Bancos) alguns Bancos passarão por muitas dificuldades e os seus titulos (acções) passarão a valer muito pouco, de modo que, quem as tiver´verá o seu património diminuído.

2º Os Bancos afectados tenderão a financiar-se para além do que seria desejado, o que terá como consequência um aumento da procura do crédito inter- bancário, logo, um aumento extraordinário  dos juros com especial incidência nas hipotecas.

3º- Mais grave do que todo este cenário, seria uma corrida aos Bancos por parte dos pequenos e grandes depositantes.

A dar-se tal cenário, seria a falência do sistema bancário tal como o conhecemos, já que, poucos seriam os Bancos que suportariam o impacto.

 

Mas, perguntar-seão? Então não existem leis que regulamentam a actividade bancária no concernente ao limite de endividamento dos Bancos? Não compete aos Bancos Centrais de cada País pugnar pelo cumprimento dessas leis? A lei não estipula que os Bancos só podem conceder crédito até um determinado limite do seu activo?

Naturalmente, a resposta é, sim!

Então como se chega a esta situação de descalabro financeiro, a ponto de provocar uma ecatombe intercontinental?

1º-Porque houve, nos Estados Unidos e na Europa, negligência na fiscalização, por parte dos Bancos Centrais.

2º- Porque a gula dos Banqueiros e seus satélites foi de loucura; não esquecer que os lucros fabulosos apresentados pelos Bancos eram fictícios, mas, ainda assim, permitiam pagar prémios faraónicos aos seus administradores, e, permitiam  que os incautos, comporassem titulos desses bancos e os guardassem como se de moeda boa se tratasse.

Bom, felizmente que os Bancos centrais vão injectar dinheiro nos Bancos(que mais uma vez será pago pelos contribuintes) e as coisas não irão cheirar a esturro, que é como quem diz; não iremos ficar todos pendurados.

 

Mas, agora pergunto eu! Então os culpados vão ficar impunes? Os que receberam prémios que são uma verdadeira ofensa a quem trabalha não vão devolver o dinheiro? Não vai haver julgamento dessa canalha de gatunos de colarinho branco? E pergunto ainda: então as empresas de financiamento dos Estados Unidos que entratanto faliram, e cujos activos foram vendidos a noventa vezes menos que o seu valor, foram compradas por quem? Não esquecemos que grande parte dos activos dessas empresas eram hipotecas de imobiliário, e que, o imobiliário não ficou noventa vezes mais barato! Não andará aqui uma jogada à escala global.

 

Ps. Recordo os mais velhos, e informo os mais novos que`há uns anos atrás, a Mafia Americana engendrou um esquema parecido com este, e só não foi avante, por mero acaso.

Contudo, ainda assim, terminou com uma falência de um Banco Italiano e o enforcamento do seu Director numa ponte do Tamisa em Londres. Chamava-se, Michele Sindona, lembram-se?

Isto é só a minha opinião, cuja base de sustentação é um livro que li faz já um par de anos, e tem o titulo, ESCANDALO NO VATICANO. Se puderem, leiam que vale a pena;

publicado por etario às 01:15
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