Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2007

QUANDO OS LOBOS DESCEM AO POVOADO

Nos tempos em que eramos crianças de escola contavam-nos que quando os lobos desciam aos povoados  era por não haver comida no seu habitat natural, ou seja: quando os fortes nevões tudo cobriam de branquinho, e os pobres lobos, famintos e sem possibilidade de caçar, não tinham outro remédio que descer aos povoados para num golpe de audácia atacarem os rebanhos dos agricultores. Era um ciclo  de certo modo esperado pelos donos dos rebanhos, que entendiam como natural, a necessidade de alimento dos ditos lobos e das suas crias.  Ainda assim, tais ataques não eram, nem são ainda, vistos com benevolência pelos donos ou encarregados desses rebanhos, pese embora a luta dos ecologistas no sentido do esclarecimento das populações pela necessidade de existência das feras nas serranias. Mas, apesar  dos prejuízos causados, e sob a promessa de indemenizações os actuais proprietários dos  rebanhos lá vão aguentando (alguns até incentivando) a presença dos lobos, desde que, no seu habitat natural. 

 

Mudam-se os tempos, os lobos actuais já não são como os lobos tradicionais; o seu habitat já não são a selva e as serranias. Os lobos actuais movimentam-se  misturados na população e já não atacam por fome ou necessidade, mas tão somente, pela satisfação de uma gula que não tem fim, continuando a atacar as povoações indefesas,  com técnicas sofisticadas, e quando é preciso, atacando em alcateia. É uma luta desigual que travam os aldeãos contra as alcateias que atacam em grupo, cientes da sua força e do seu poderío.

 

O rebanho assiste impotente, ao seu enfraquecimento e extremínio, sabendo que a culpa não é só dos lobos. A culpa é daqueles que se julgam donos do rebanho e daqueles que deviam ser os seua guardadores; o rebanho sabe, que aqueles que se julgam seus donos, transmitem ordens aos seus maiorais no terreno, para que abram as cancelas do redil para que os lobos se possam banquetear à vontade, levando ainda os despojos das vítimas; triste fado o do rebanho, que tais donos e maiorais tem. Mas, o rebanho pode um dia dizer basta! E quando pedir contas aqueles que se julgam donos do rebanho, e aos seus maiorais, ser já demasiado tarde, ou seja: poderá castigá-los com a única arma que tem ao seu alcance, mas, o produto do saque e os restos do banquete, já estará a salvo e à ordem da alcateia, que prepará novos ataques a novos rebanhos.

 

Mas deixemo-nos de fábulas!

Transportemos a fábula para o que se está a passar em Almeirim! Será que em Almeirim se justifica tanta área comercial? Será que nas grandes superfícies instaladas, os produtos horticolas vendidos são produzidos pelos agricultortes do Concelho de Almeirim? Será que a carne vendida é produzida no concelho de Almeirim? Será que os postos de trabalho criados (com que se tapa os olhos à população) são definitivos, ou seja: os trabalhadores não são postos na rua findo o contrato? Será que os postos de trabalho hipotéticamente criados compensam os que na realidade se perdem ou deixam de se criar? Pergunta-se ainda; quantos postos de trabalho devidamente legalizados criaram os chineses que se instalaram  em Almeirim? E finalmente a pergunta -se: Quanto pagam de derrama as ´´areas comerciais instaladas em Almeirim?  Pode-se seguramente afirmar que pagam zero ou pouco mais que isso. E os chineses? Quanto pagam de derrama os chineses?Todos estes lobos dos tempos modernos, têm a sua sede fora de Almeirim (excepção feita a um pequeno franchising)  levando para fora do Concelho toda a mais valía, não pagando por isso os impostos no Concelho; Pagar derrama? Isso é para os que continuam a teimar em ter a sua sede em Almeirim , a lutar contra os lobos e contra os maiorais que lhes facultam a  entrada,  ficando cada vez mais enfraquecidos 

Então, os que se julgam donos do rebanho, que dão ordens aos seus guardadores para abrir as cancelas do redil, não têm o mesmo zelo para encaminhar para Almeirim umas indústriazitas  que  criem postos de trabalho de verdade, em que, pelo menos, a mais valía da mão de obra fique no concelho? É conveniente, e urgente, que os guardadores do rebanho digam aos seus patrões que o Concelho de Almeirim já foi um concelho rico, e que, a continuar assim, provavelmente será num futuro próximo um concelho muito pobre, e, quando tal acontecer,  os maiorais irão concerteza ser outros.

 

ETA 

 

 

publicado por etario às 15:15
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