Sábado, 4 de Agosto de 2012

POBRE POVO

Entre o neo liberalismo activo , representativo de um capitalismo manhoso,  sem escrúpulos e insaciável de dinheiro e poder, e a irresponsabilidade de alguns dirigentes sindicais igualmente manhosos, calculistas e ciosos de justificar as mordomias de que beneficiam pelo facto de o serem "dirigentes sindicais", a maioria obedecendo a ordens dos partidos políticos que os colocaram nessa posição de privilégio, fica o saco de boxe  que se chama povo.

 

Este saco de boxe de tanto levar de uns e de outros, está algo esfarrapado, e, sem culpa directa do estado de farrapo a que chegou, ainda tem que suportar os custos altíssimos  dos remendos necessários.

 

Uns e outros, capital e sindicatos, parecem viver em mundos distantes da realidade quotidiana daqueles a quem sugam a seiva que lhes permite apresentarem-se como arvores frondosas  num jardim seco e decrépito. Os primeiros "o capital", porque embora sabendo o estado calamitoso do País, continuam a voragem, deixando pelo caminho os esqueletos daqueles que aniquilaram e que têm suportado os impostos, pouco ou nada se importando se no advir todos seremos esqueletos. Os segundos "os sindicatos" [especialmente os das profissões ditas estratégicas, quase todas ligadas ao sector público estatal], porque, independentemente dos prejuízos astronómicos causados pela gestão danosa destas empresas , não hesitam em promover greves que têm como resultado final o agravamento desses prejuízos e, consequentemente, o agravamento das condições de vida daqueles que têm de pagar esses desvarios.

 

Seria bom que os dirigentes sindicais (alguns na ansia de visibilidade televisiva) promovessem a denúncia da gestão danosa de que são alvo algumas empresas públicas e, não se servissem dessa circunstância para reivindicar aumentos de salários (que todos temos de pagar) que já estão muito acima do razoável, e só possiveis em empresas sustentadas com o dinheiro sugado a  todos os que fazem parte do saco de boxe.

 

De um lado e de outro, haja contenção e respeito por todos os que na revolta do silêncio se vão resignando e pagando, mas não se dá doutrina a um estômago vazio, e a paciência tem limites.

 

 

 

publicado por etario às 19:06
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