Segunda-feira, 11 de Julho de 2011

DIREITO/ECONOMIA

A soberania das Nações é um Direito  intocável à luz do Direito Internacional. Contudo, esta soberania é hoje letra quase morta, pois que, os tratados internacionais que os seus dirigentes "de momento" subscrevem, para o mal e para o bem, limitam, quando não cerceiam quase por completo, essa soberania.

 

A globalização económica foi precedida de uma globalização política que teve o condão de comprimir a soberania dos mais fracos e torná-los dependentes da soberana vontade dos mais fortes.

 

O  paradigma politico/económico que norteou as decisões dos dirigentes Europeus na gestão do dossier "globalização" é, na minha modesta maneira de ver, uma amalgama de onde é difícil (pelo menos para o comum cidadão) retirar uma ilação objectiva e esclarecedora.

 

Quem na verdade beneficia com a globalização? As nações nela envolvidas em igualdade de circunstâncias? E, dessas Nações quem beneficia?

Os seus povos, ou os seus governos e políticos? As multinacionais ficaram de fora, ou são parte activa no processo? A alta finança ficou de fora?

 

Com uma boa dose de boa vontade, poderíamos intuir que o paradigma charneira da globalização foi a aproximação dos Povos e a diminuição das diferenças económicas, tentando aproximar os níveis de desenvolvimento tecnológico e social dos Povos.

 

Contudo, as realidades levam-nos a descrer desta globalização e a classificar de dúbios os motivos que a nortearam. Pelos resultados obtidos, verifica-se que os Povos para cujos benefícios apontava, em nada beneficiaram com a globalização.

 

Verifica-se uma acentuada pobreza nos Povos da Àsia , e de África,  sendo que, a esta pobreza corresponde um aumento astronómico da riqueza dos intervenientes nos negócios envolventes da globalização.

 

De igual modo, na U.E. as Nações periféricas que alienaram soberania política e económica vivem momentos de grande aperto e sufoco financeiro.

Este sufoco é de difícil ultrapassagem porque as cedências políticas e económicas (no fundo soberania) efectivadas à União Europeia foram utilizadas como moeda de troca na globalização. E, nesta globalização, se ganhos houve, os beneficiários não foram aqueles a quem deviam ser destinados, tanto de um, como do outro lado da civilização.

 

Foi nesta cedência de soberania, que Portugal a troco de uns miseráveis euros eliminou o seu aparelho produtivo agrícola e abateu a sua frota pesqueira, com a promessa de integração numa Europa rica e anafada onde tudo seria global, desde as benesses aos sacrifícios. E, seria melhor não produzir  já que, mercê da globalização, os produtos agrícolas virão da Argentina , do Chile e de outros Países da América do Sul e dos USA. Esquceram-se de dizer que estes produtos podem ser derivados de transgénicos  para que as multinacionais fiquem cada vez mais ricas e poderosas.

 

Acabe-se com as manufactureiras de pronto a vestir em Portugal porque as confecções serão executadas em Países Africanos e na China; Não importa que os direitos humanos dos trabalhadores não existam ou sejam esmagados. Acabe-se igualmente com a metalomecânica ligeira das zonas de Águeda e cinturas industriais das cidades, porque as ferramentas e artefactos virão da China sem qualquer entrave, mercê da globalização.  E, não importa que crianças de 7 e 10 anos trabalhem 16 horas por dia sem qualquer direito social. Tudo para que os intermediários destes colossais negócios fiquem cada vez mais ricos e poderosos.

 

Os resultados estão à vista: tudo o que hoje se encontra à venda na Europa (que já foi rica) tem a etiqueta "Made In China" e nalguns casos, embora igualmente feito na China tem a etiqueta "made in CE".

 

Mas, como isso ainda não é suficiente, as nossas cidades vilas e aldeias estão pejadas de lojas Chinesas que sem a mínima intenção de contribuir para a economia deste ou doutro qualquer País Europeu aqui vendem os produtos Made in China sacando o que resta dos poucos euros. E, não há problema que pratiquem "dumping". Isso é uma prática que só é proibida às empresas Europeias. Tudo em nome da globalização e do aumento ofensivo das fortunas que escapam aos impostos.

 

Enfim, a este ataque concertado "via exterior" à economia da pequenas Nações, junta-se a gula dos grandes grupos de distribuição nacionais que sem o mínimo respeito pelos produtores Nacionais compram onde é barato fazendo tábua rasa dos sacrifícios humanos e das condições de escravidão com que são produzidos esses produtos baratos, tendo apenas em vista o lucro, mesmo que sujo e corrupto.

 

Reitero: Cegueira, cinismo e ganância foi no que se transformou a globalização.

 

Os povos continuam a pagar uma factura para a qual em nada contribuíram, a não ser na legitimação de alguns abutres  com votos por altura da eleições.

 

O Direito, aplicado segundo concepções filosóficas humanistas visa a materialização da justiça na sua plenitude, mas por maldade dos homens, ineficácia das instituições e falta de rigor na exigência de cumprimento dos contratos de alienação de soberania, as Nações periféricas da urbe (leia-se União Europeia) estão cada vez mais condenadas à indigência.

 

No momento em que acabo de escrever, tenho a confirmação do que por análise exponho supra. Quer dizer, como resultado da influência das agências de rating Americanas, as bolsas Europeias e especialmente a Portuguesa, acabam de caír cerca de 7%, ou seja, mercê dasta queda das bolsas, os especuladores à escala global já podem comprar barato o produto do suor de tantos.

 

Para quando um pontapé no traseiro destes abutres globais? O mundo não viverá melhor sem eles? 

 

publicado por etario às 18:38
link do post | comentar | favorito
|
2 comentários:
De Carlos Bento a 13 de Julho de 2011 às 15:10

Factos
1-O que nao conseguir produzir terei que comprar.
2-Como nao posso produzir tudo, terei que vender algo do que produzo.
3-E' preferivel produzir mais caro para meu proprio consumo, que comprar a outrem mais barato.
4-Se a memoria nao me trai, nunca vi nenhuma medida governamental proteger a producao nacional.
5-Por muito pequena que seja uma Nacao , esta tera ' sempre que ser gerida pelos seus cidadaos.
6-O A.J . Jardim, nao teve receio de dizer que nao queria os chineses na Madeira, goste-se ou nao das suas atitudes.
7-Os meus impostos, ja ' pagaram para arrancar e plantar vinhas em Portugal mais que uma vez.
8-Se os nordicos possuissem as condicoes naturais que nos' temos, invadiam toda a Europa com produtos agricolas.
9-Nos' desenhamos, ou deixamos os outros desenhar o nosso proprio destino. Inadmissivel.Com tantos doutores em todas as areas.
10-As agencias de rating so ' existem com conveniencia da America e muitos financeiros europeus.

Concordo plenamente com o conteudo descrito.
Boa continuacao .


De etario a 6 de Setembro de 2011 às 19:37
Propositadamente só agora comento o expendido por Carlos Bento; das verdades enunciadas se deduz uma experiência feita de vida prática, que é como quem diz, de experiência retiraqda da vida vivida e convivida (passe a redundância) com o trabalho.
O Presidente dos STATS já sabe como mordem as agências de rating. Quando vierem à superfície as enormidades do sistema monetário Americano veremos quem é sério.
Até lá, esperemos que o Mundo perceba que o dinheiro não é tudo.


Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Abril 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30


.posts recentes

. ...

. PRIVATIZAÇÕES

. A BEM DA NAÇÃO

. FEUDALISMO

. ORDEM DOS ADVOGADOS

. DARDOS/HIPOCRISIA

. INCÊNDIOS

. Dardos

. POBRE POVO

. Respeito

.arquivos

. Abril 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Maio 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

blogs SAPO

.subscrever feeds