Domingo, 13 de Março de 2011

FRAGMENTOS

Sabido e confirmado: as massas em movimento são imparáveis e as consequências imprevisíveis.

Foi assim em Portugal (revolução dos cravos), foi assim na Tunisia e pelos vistos, assim será na Líbia ou noutros locais onde o fenómeno ocorrer.

 

A razão ou razões subjacentes a estes fenómenos são igualmente conhecidos. Contudo, é bom realçar que ao manifestarem-se espontaneamente não deixam de ter na sua génese a profundidade das desigualdades sociais que, por norma lhes subjazem.

 

Começam quase sempre por um descontentamento generalizado da população originado por uma injusta distribuição da riqueza e pelo fosso da exclusão social gerado por vias disso.

 

Quando os que legitimados pelos votos dos cidadãos, têm a obrigação e o dever de pugnar pelo bem estar e paz social das Nações, se demitem dessas responsabilidades, e agem em sintonia com fim diverso daquele para que foram legitimados, criando com as suas acções ou omissões situações de desgovernança da coisa pública lesivas do interesse de todos em benefício do de alguns,  é certo e sabido que a erupção das tensões sociais é uma questão de tempo.

 

A nossa "geração à rasca" é quase toda filha da geração rasca que no momento próprio [ou impróprio] através da ditadura dos partidos se apoderou do poder e dos lugares de decisão, tanto ao nível da aparelho de Estado como dos orgãos decisores e sindicatos. Esta pseudo élite de políticos rascas  cuja formação académica está  legitimada em exames plenários (com o devido respeito pelas excepções) têm-se agarrado e perpetuado no poder sem outro objectivo que não seja os seus umbigos lustrosos olvidando as gerações futuras que, ora mesmo aí estão, ávidas por aceder ao mercado de trabalho e por vias dele  dar o seu contributo sério ao desenvolvimento do País.

 

Mas como será isso possível a curto prazo  se a geração rasca destruiu as fontes geradoras de postos de trabalho por troca de algumas benesses que só a eles e aos seus clãs aproveitou?

 

Onde stá a pequena indústria que criava e mantinha milhares de postos de trabalho ?

E o pequeno comércio que mantinha outros tantos milhares de postos de trabalho directo e indirecto?

Pergunte-se pela agricultura e os postos de trabalho directo e indirecto que mantinha?

E a frota de pesca e os seus pescadores?

 

Os pobres ficaram mais pobres e, a classe média sem se aperceber, foi canibalisada.

 

O empobrecimento do País aniquilou a indústria da construção civil e, por consequência disso,  muitas outras indústrias periféricas desapareceram .

Regredimos 50 anos como Povo, e voltámos a ser um País de emigrantes.

 

Todo este aparelho produtivo foi hipotecado aos grandes interesses económicos que lucram à escala global, fazendo de nós um País de mendigos com uma geração à rasca, sem vislumbre de dias melhores, sem paz social e em indigência. Em contrapartida. o enriquecimento ofensivo dos grandes grupos económicos e dos indivíduos seus proprietários é uma espiral em constante ascensão.

 

Esperemos que, aqueles que ao longo de trinta e sete anos se têm alternado no poder percebam que é tempo de ir embora sem indemnizações e outras benesses e, darem lugar aos que patrioticamente estejam na disposição de levar o barco a bom porto.

 

 

Notas: alguns dados publicados in "DIÁRIO DE NOTICIAS DE 13/03/2011" [GERAÇÃO À RASCA MOBILIZOU 300MIL EM TODO O PAÍS] [DEPUTADOS RECEBERAM 4 MILHÕES EM SETE ANOS PARA VOLTAR À VIDA CIVIL] EMPRESAS EM QUE OS NOSSOS PARLAMENTARES TÊM PARTICIPAÇÕES LEGAIS OBTIVERAM LUCROS DE 111 MILHÕES] .

 

 

 

publicado por etario às 17:50
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1 comentário:
De Carlos Bento a 14 de Março de 2011 às 16:42
Nao posso estar mais de acordo, espero porem que impere o civismo e bom senso sem recurso a extremismos, normalmente promotores da violencia, fonte de mais problemas e nao de solucoes.
De qualquer modo nao fui apanhado de surpresa, os portugueses nao sao assim tao cordeirinhos que se deixem sacrificar impunemente, era so' uma questao de tempo.


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